Nosso canto Patativa
Essa é a Canela Fina
Que nasceu no Ceará
Na capital da beleza
Manifesta vai cantar
Inspiração nordestina
Do sertão a capital
Diga-me a matéria prima
Que tu tens em teu quintal
Meu canto é do Fortaleza
Capital do Ceará
Meu lugar tem a beleza
Que preciso pra cantar
Meu canto é de Patativa
Meu canto é de Assaré
Meu canto é de São Francisco
Meu canto é de Canindé
Meu canto é de Juazeiro
Do padim Ciço Romão
De Antônio Conselheiro
Zé Lourenço e o Caldeirão
Meu canto é de Limoeiro
Meu canto é de bom Pastor
Canto pro Rio de Janeiro
Pro seu Cristo Redentor
Canto prece ao monumento
Homenagem a meu senhor.
Peço a ele no momento
Pra redimir nossa dor
Nessa vida o sofrimento
Acompanha o ser humano
Até seu falecimento
Seja santo ou profano
Nosso grande conselheiro
Nosso canto Patativa
Profecia ou poesia
Do povo a memória viva
Viva o nosso Patativa
Salve caro conselheiro
Do trabalhador urbano
Do sertanejo roceiro
O amor é uma prece
Que alegra o coração
É o sol que me aquece
É minha respiração
PRIMAFLORA
Deixa a mãe terra regenerar
Deixa a roseira santa brotar
Deixa a natureza venerar
A semente que vai rebentar
Deixa o sol do verão aquecer
Deixa a chuva do inverno regar
Para ver o jardim florescer
E do chão ver a vida chegar
Deixa a prima flora nascer
Para ver a verdade sorrir
Deixa a prima flora viver
Na liberdade para sentir
Deixa o solo olhar a chuva
Deixa ela molhar essa uva
Deixa a chuva molhar o solo
Deixa ela deitar no teu colo
Deixa ela sentir o teu calor
Deixa ela descobrir o amor
Plantado como grande valor
Regado no adubo do clamor
Com a sutileza do escrever
Todo verso é possível se ver
Com a beleza do codificar
Todo silencio vai decifrar
Deixa o tempo melhor replicar
Tudo o que não posso pretender
Deixa a nossa senhora explicar
Tudo o que eu não consigo entender
Como quem aprendeu a cair
Quando era par saber levantar
Como quem aprendeu a levar
Quando tinha que saber trazer
Como quem aprendeu a andar
Quando tinha que saber correr
Como quem aprendeu a cuspir
Quando era pra saber engolir
O pão assado para nutrir
O corpo que tem que sustentar
O peso da fome a desnutrir
Quem vem pra convencer ou tentar
Deixa a prima flora resistir
Na terra ter a quem recorrer
Deixa a prima flora insistir
Pra raça humana socorrer
Essa bóia que esteve a secar
Embora na hora de encher
Que era pra natureza salvar
E o vazio humano preencher
No deserto terá que viver
Se a fauna e a flora não conservar
A Floresta que resta pra vir ver
Nada mais terá pra preservar
A flor que brota ao se mirar
Quem ainda pode admirar
A certeza da prima solar
A beleza da prima lunar
A certeza da primavera
A beleza da prima flora
A certeza da prima chuva
A beleza da prima adora
A certeza da terra fértil
É a beleza da prima flora
D-vida
Acordos de paz caíram por terra.
Abordo de uma nau naufragada.
Allá vê em Bush um Deus da guerra.
Suja de sangue a terra mal regada.
Terra infértil em que semeia a paz.
Governa a América, mas não é capaz.
De governar com justiça e sensatez.
A guerra da falta de lucidez.
O século começou sob fumaça e poeira.
De um atentado sustentado pela prepotência.
No jogo da caça a raça é a presa certeira.
Invasão evasiva no Afeganistão.
Ataque “defensivo” no Iraque.
Apoio bélico pro estado de Israel.
Opressão patética na palestina.
Política externa injusta,
Capitalista ditatorial.
Orador estúpido hipócrita,
Compra guerra sem saber quanto custa.
Custa a Di-vida de vítimas inocentes.
Ceifadas a base de entorpecentes.
Descendentes de escravos libertos.
Que seguiram pelos caminhos certos.
Certos de seus destinos incertos
Certos que os caminhos foram abertos.
A base de bombas e mísseis teleguiados.
Lançados de bases dos seus supostos aliados.
Ao lado da duvida subtraída,
Pela divisão dessa mega ilusão.
Alusão a uma pseudoliberdade,
Chamada escravidão da falsa verdade.
O que é essa tal liberdade.
Envolta nessa falsa verdade.
Que produz o terror e a revolta.
Na alma de quem se foi e não volta.
Para uma dimensão imaculada,
Longe das mazelas desumanas.
Perto da felicidade incalculada.
Além das futilidades humanas.