Coisa boa é Alvorada
Bananda bom é cedo
Eu vou contar um segredo
Peço pra se apascentar
O acento é meu enrredo
Na métrica apresentada
Canto coco de embolada
Que dança no meu pensar
Vista a saia rodada
Venha pro coco sambar
No martelo agalopado
Ou nos dez pés ao quadrão
Eu vou contar arrojado
Como foi a confusão
Numa sala de reboco
Eu ouvi só o papoco
De meio mundo de cabôco
A custa de chute e soco
Dar um viva a Luiz
Pai e rei do baião
Venha pro coco sambar
Quem sabe e quer vadiar
Essa dança arretada
Vai até o sol raiar
O meu verso voa livre
Não se pode aprisionar
Na levada do pandeiro
No balanço do ganzá
Não precisa de dinheiro
Quem sabe e quer vadiar
Eu vou contar um segredo
Atenção possa prestar
Quem não desafia o medo
Não pode se libertar
Pois coragem é o único
Instrumento pra lutar
E contra a covardia
Temos que nos alistar
O regime é Civil
Não queremos Militar
Não me prendo a partido
Pois quero me unir ao povo
Tudo que tenho assistido
Convém passarmos o rodo
Pra desatar esse nó
E dissolver esse engodo
Eu não posso lutar só
Devo me unir ao povo
E antes e voltar ao pó
Emancipação promovo
Na levada do pandeiro
No balanço do ganzá
Canto para o mundo inteiro
Não só para o meu lugar
Se possível o estrangeiro
Possa me interpretar
Ao som de um forró raiz
Que é pra não desvirtuar
O protesto cancioneiro
Da cultura popular
Das revoltas e levantes
O poder foi esquecido
No cartaz manifestante
O gigante adormecido
Acordou da letargia
Na pátria dos excluídos
A espécie está no povo
Que não se dá por vencido
Prefiro morrer lutando
A um tirano ter servido
Dedicar a sua honra
Para o bem de seu país
Não achar que o mais pesado
É o fardo do aprendiz
Pois quem sabe o que pensa
Mas não pensa no que diz
Está longe do conceito
Distante de ser feliz
Felicidade do povo
Que preserva sua raiz
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